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Obesidade infantil preocupa pais

Estimativas da Sociedade Brasileira de Pediatria indicam que 15% das crianças têm obesidade ou sobrepeso no país. Entre os adolescentes, o Ministério da Saúde projeta que o porcentual de obesos ou com excesso de peso seja de 20%, sendo que 70% desses jovens vão chegar à fase adulta gordos.

A Clínica de Nutrição da Universidade Tuiuti do Paraná presta atendimento a crianças e adolescentes com problemas de peso. Lá, os professores já observaram casos críticos, como o de uma menina de quatro anos, que estava com 40 quilos – um peso 160% superior ao indicado para sua idade e estatura.

A nutricionista Mônica de Caldas Rosa dos Anjos, que integra a equipe da Tuiuti, diz que os pais têm razão em ficar preocupados com o excesso de peso dos filhos. "Há muitas doenças associadas à obesidade, como colesterol elevado, pressão alta, problemas ósseos, ortopédicos, problemas cardiovasculares, dores nas articulações, defeitos posturais e diabete, entre outros. A maioria só aparece na fase adulta, mas já detectamos crianças com colesterol alto, como exemplo". O problema também tem conseqüências psicológicas, conforme ressalta a psicóloga Denise Cerqueira Leite Heller. "As crianças gordas, geralmente, recebem apelidos na escola. Isso mexe com a auto-estima e a tendência e de agravamento da situação na adolescência, quando naturalmente o ser humano vive um período de mudanças e crises."

A terapeuta ocupacional, Andréa Maria Fedeger, lembra que a obesidade também leva à exclusão social. "Isso limita até as atividades da criança durante as brincadeiras. Meninos gordos são sempre goleiros, ficam no banco de reserva, no balé, as meninas ficam na última fila", exemplifica a professora. As crianças e adolescentes que não conseguem perder peso, geralmente, vivem num círculo vicioso. Segundo Denise Heller, elas ficam ansiosas porque estão fora de forma e esse sentimento as leva a comer mais e assim sucessivamente.


Estilo de vida é responsável pela maioria dos casos

Em 90% dos casos de obesidade infantil e na adolescência a causa está num estilo de vida errado, segundo a endocrinologista Belkiss Ferrari, professora do curso de Medicina da Universidade Católica do Paraná. "Esses pacientes geralmente comem errado e são sedentários", explica a médica. Há casos porém que podem estar relacionados a problemas de tireóide e de ovários, no caso das meninas, mas essas situações são incomuns.

O ideal, informa a endocrinologista, é que os pais levem os filhos com problema de sobrepeso para fazer um check- up, onde será possível identificar a causa do excesso de gordura. "Nestes exames descobrimos que mesmo crianças gordas podem ter problemas de anemia, pois a qualidade da alimentação que recebem é ruim." Descoberta a origem do problema, Belkiss Ferrari considera que não há grandes dificuldades em se trabalhar com essa clientela, desde que tenham apoio dos pais. "As crianças, em especial, são honestas e por isso não mentem sobre o que comem, como podem fazer os adultos. É claro que para o tratamento ter sucesso os pais precisam ajudar, permitindo que os filhos tenham uma alimentação correta."

Decisão

Outra condição fundamental para que o problema seja resolvido é a vontade do paciente. "É necessário que a pessoa queira emagrecer e não apenas a família. Há casos em que os filhos comem muito e engordam para afrontar os pais."

Além de uma boa alimentação, a médica ressalta a necessidade de se fazer atividades físicas regulares. Segundo ela, o argumento de que os pais não têm dinheiro para pagar uma academia não é válido, pois há muitas opções gratuitas de esportes e lazer. "Aqui em Curitiba, por exemplo, todos os dias há atividades físicas em praças e parques."


Recomendações para os pais educarem a alimentação dos seus filhos

* Servir de exemplo: eles não podem exigir que os filhos comam frutas e verduras, se eles mesmos não fazem isso.

* Não proibir nada: se os pais proíbem, a tendência é de que os filhos comam o máximo que puderem quando tiverem acesso ao que é vedado. O ideal é ensinar a comer na quantidade certa.

* Fazer as refeições na mesa e em horários fixos.
n Preparar os alimentos de várias maneiras diferentes, para vencer a resistência da criança.

* Estimular exercícios físicos: não apenas os programados em academias, mas também atividades rotineiras, como brincadeiras movimentadas, passeios de bicicleta, caminhadas.

* Procurar se informar sobre a maneira correta de preparar os alimentos para ressaltar o sabor.

* Atenção com a cantina da escola: nesses espaços as crianças geralmente têm acesso a uma variedade grande de alimentos muito calóricos.

* Valorizar saladas e frutas na base da alimentação da família.

* Pode ser instituído o dia da fuga: nesse dia, que deve ser escolhido pela criança, ela pode comer um alimento calórico que goste, mas sem exagero.


Fonte: Jornal Gazeta do Povo
 
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